quarta-feira, 15 de setembro de 2010

BAND-AID

E ao amigo que pergunta:

Como é que você está?

Eu prontamente respondo:

- Comme si, comme ça.

Colocando curativos

Nos maus-tratos afetivos,

A que tenho sido submetida,

Enquanto a sutura

Não fecha a ferida,

Definitiva,

Que teima em não cicatrizar,

Fratura exposta, a me torturar.



Dor, que às vezes sangra,

Às vezes pára de sangrar.

Fazer o quê?

Deixar doer, deixar esgotar.

A gente tem que entender

Que um dia, ela há de passar.

Carmen Macedo

A busca

Tenho buscado o amor
Tenho buscado a paz
Busco também o conhecimento
Que me permite fazer escolhas
Levando-me a refletir por qual caminho percorrer.
Nessa busca pela vida e seus mistérios andei por vários caminhos
Alguns iluminados outros nem tanto
Encontrei muita felicidade
Amores
Desamores
Encontros
Desencontros
Risos
Lágrimas...
Mas nunca desisti de buscar
A busca faz parte da minha alma
É essa ideologia  que mantém minha sede pela vida
E essa busca é solitária
É refletida
É valida, pois sei que o que procuro esta dentro de mim
No momento e na hora certa
Esperando eu me encontrar.

Sandra Vieira

A melhor viagem

Existem viagens e viagens. Não sei se a melhor é aquela que fazemos na realidade, ou, a outra que é a dos nossos devaneios. Lembro da excursão que minha família e eu fizemos a Montevidéu, presente de aniversário de quinze anos. Como era a primeira vez que saía do país, estava vibrando.

Lá chegando, conhecemos os pontos turísticos da capital, como o monumento La Carreta, as praias de Pocitos e Carrasco, bem como visitamos lojas que exibiam quase que exclusivamente produtos importados. Após, fomos de ônibus com outros turistas à famosa praia Piriápolis, onde ficaríamos alguns dias. O guia que nos acompanhava era muito engraçado. Fazia piadas o tempo todo. Nos estimulava a cantar com ele um estribilho muito estranho, pois não fazia sentido com nenhuma língua conhecida: “la mar astava sereno, sereno astava la mar”. O pessoal entoava em coro e ria sem parar.

No hotel onde ficamos, fiz logo amizade com duas garotas argentinas, da minha idade. Eu arranhava um péssimo portunhol, mas o importante é que nos entendíamos.

No segundo dia de nossa chegada, minhas amigas me convidaram para conhecer o mar uruguaio. Apesar de ser verão, o dia estava sombrio, fazia frio e a praia estava deserta. Minhas companheiras eram excelentes nadadoras e entraram na água gelada, indo logo para o fundo, bem longe da praia. Não fui, pois embora o mar me fascinasse, eu tinha medo, não sabia nadar. Sozinha na areia, absorta em meus pensamentos, vendo aquele mar tão tranqüilo, muito azul, comecei a imaginar que estava em um transatlântico numa viagem pelo Caribe. Que espetáculo aquele navio, lotado de pessoas bonitas e elegantes, falando diferentes línguas, parecendo uma torre de Babel. Havia boutiques luxuosas, várias piscinas, academias, salões de beleza, cinema, teatro, cassino e restaurantes finíssimos.

À noite, no jantar com o comandante, coloquei um vestido branco vaporoso; pela primeira vez sapatos de salto alto, me equilibrando para não cair. Assim fui até a mesa reservada para garotas e rapazes. Bem na minha frente estava um gatão de cabelos pretos e olhos azuis como o mar, que me olhou durante todo tempo, muito afável e sorridente. Talvez fosse o momento propício para o encontro com o meu príncipe encantado. Aquele igualzinho ao da Gata Borralheira.

Eu me sentia a própria Cinderela e, provavelmente, no retorno do jantar, perderia um dos sapatos. Com sorte, o rapaz que me paquerara acharia o pé solitário, que me serviria como uma luva. Pronto: como num conto de fadas, seríamos felizes para sempre.

Passos de gente caminhando me derrubaram dos saltos, acabando com minha fantasia. Ao olhar para o lado, vi um bêbado mal encarado se aproximando. Por que cargas d’água, aquele homem tinha que aparecer, me deixando de chinelos de dedo e, muito assustada!

Ele chegava cada vez mais perto, apavorada, olhei ao redor e vi que a praia continuava deserta. Ninguém ouviria meus gritos. Minhas companheiras continuavam nadando no fundo, após a marca das bóias.

O medo foi tão grande, que sem pensar, enfrentei o mal menor: fui mar a dentro.  Quando percebi estava junto às argentinas. Claro que só poderia ter chegado até lá nadando. Também nadando, retornei com elas à praia.

Ainda hoje, me pergunto qual foi a melhor viagem.

A realidade diz que foi o meu presente de quinze anos: a viagem ao Uruguai; as amizades que fiz com as garotas, com as quais passei durante vários anos me correspondendo; ter aprendido a nadar, e ter me salvo do homem com cara de mau. Além disso, perdi o medo do mar, só ficou o encantamento, como os pescadores pelas sereias.

No entanto, bem no âmago, fiquei apaixonada pela viagem de navio que não aconteceu, que não me levou a lugar nenhum, mas que me permitiu ser por instantes uma verdadeira Cinderela.

Themis Groisman Lopes

Solução

A lágrima bailarina
...de saudade
banhou árida, a ausência, no deserto
de sentimentos.
Encharcou o empedernido coração
que se amaciou
como seda
das asas da crisálida.

Themis Groisman Lopes

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Gestação

Estou gràvida
Pasmem!
De gêmeos
Infelizmente tenho que abortar um
È indesejado
Não me culpem
Se deixà-la viver
Sufocarà a irmã
Para isso nao acontecer
Intervirei
Elas não vivem juntos
Devo confessar
Tenho preferência
Que posso fazer?
Jà decidi...
Abortarei...
Não deixarei a tristeza
Sufocar a alegria
Mesmo a tristeza sendo persistente
Lutarei bravamente
Para que
Não cresça
Fortaleça
Darei todo apoio à alegria
Ela merece
Cuidado
Carinho
Amor
Essa gestação é difìcil
Longa
Muito longa
Dura uma vida
Não importa!
Enquanto viver
Estarei ao lado dela
Alimentando
Acompanhando
E quanto à tristeza...
Continuarei abortando
Sempre!

Margarete Martins Araujo

Minha loucura

Confesso...
Não dà mais para esconder...
Sou louca
Completamente louca
Aloprada
Louca pela vida
Pelos amigos
Familia
Louca de amor
Loucura engraçada
Saudàvel
Gostosa
Feliz!

Margarete Martins Araujo

A coragem de confiar

Confiar requer coragem

Entrega de corpo e alma

Amar sem medo e sem reservas

Confiar é acreditar num mundo mais justo

Confiar é acreditar no amor do outro

É se render aos seus encantos

Sem se preocupar em esperar o que receber

Confiar é levantar pela manha

E ter a certeza de dias melhores

A confiança é uma conquista e também uma escolha

Sem ela seria insuportável viver



Quem não consegue confiar se mantém sozinho

Em uma falsa ilusão de segurança

Enclausura-se e não vive

Apenas sobrevive...


Sandra Vieira

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

1o. Encontro dos Escritores do Facebook - Fragmentos do FB

Encontro de sonhadoras e sonhadores, poetizas e poetas, escritoras e escritores, amadores ou não.
Encontro daqueles que deixam suas lágrimas de alegria ou melancolia tingirem o papel ou escorrem pelo teclado, manchando o monitor.
Encontro daqueles que deixam a alma falar sem constrangimentos.

18 de setembro de 2010

Horário: 16:00

Magazzino di Carol

Rua Marques do Pombal esquina Av. Bordini
Porto Alegre, Brazil

Confirmações: http://www.facebook.com/?ref=home#!/event.php?eid=118469694870182&index=1

domingo, 12 de setembro de 2010

Somos um e dois

A alma...e o humano,
somos um e dois ao mesmo tempo...
quando ficamos indecisos e em conflito é porque estamos pensando algo totalmente diferente do que sentimos...
Os nossos pensamentos são frutos de nossas crenças e preconceitos,
os sentimentos são as intuições, sensações que não conseguimos explicar com a razão...
Quando estamos carentes o humano traduz como falta de amor, companheira ou companheiro, saudades de entes queridos que se foram, etc. queremos sempre algo e nada vai nos apaziguar...
No fundo é a alma carente de algo muito importante que necessitamos realizar e é só isso que irá nos satisfazer de verdade...

Alina Yokoyama Ferraz

“Um dia…”

Um dia você não mais será o meu primeiro pensamento ao despertar…
Um dia não vou em você o tempo todo pensar…
Um dia você não mais será a minha última lembrança ao me deitar…
Um dia não vou mais com você tanto sonhar…
Um dia não vou mais tudo recordar…
Um dia de você sequer vou me lembrar…
Um dia deixarei de tanto errar…
Um dia não mais irei te esperar…
Um dia não vou ardentemente mais te desejar…
Um dia não vou carinhosamente mais te amar…
Um dia o meu coração não irá mais por você sangrar…
Um dia a minh’alma vai se curar…
Um dia eu vou me recuperar…
Um dia – quem sabe – esse dia vai chegar…

Fernanda do Valle

(www.fernandadovalle.com)