sábado, 2 de outubro de 2010

Tua escova de dentes - por Carmen Macedo

Não sei e jamais saberei ao certo

O que sentia por ti.

Era uma mescla estranha de sentimentos

Conturbados,

Tormentos...

Era uma vontade de ficar e de ir.

De ficar junto e fugir

Era um sentir falta

Depois...

Maldição!

Algo me sobressalta.

Que coisa estranha...

Sim, não suportei mais tua presença.

Tua sufocante vontade de ficar ao meu lado.

Tua carência de mim.

Hoje, sinto tua ausência,

Confesso.

Todos os dias, lembro-me de ti.

Deves ter sido,

Em outras vidas,

Meu companheiro, amigo,

Filho, parceiro, marido,

Sabe-se lá.

Porque não consigo te esquecer.

E, após todos esses anos,

Também ainda não me permiti

Jogar fora tantos guardados

Tuas fotos nos porta-retratos,

Tua caneca, nossos pratos,

Tirar tua escova de dentes do banheiro,

O teu xampu que sobrou no chuveiro,

Desfazer-me das lembranças,

Nem matar o que me restou de esperança.

por Carmen Macedo

Passagem

A vida
fantasiada,
efêmera ilusão
passou.
Flores
sem perfume
adornam a partida
dos sentimentos.
No esquecido vaso
ficam apenas,
folhas mortas que choram.

Themis Groisman Lopes

VIVER - por Francisca Raposo

Portugal estréia em Fragmentos FB. Bem vinda Francisca Raposo.

Viver é isso e mais aquilo que,

em cada dia vai acontecendo inesperadamente....

Nós fazemos parte da natureza ...

E como tudo está "ela"

também nos estamos sempre mudando...

tanto poderá estar um dia lindo de sol....

como um dia escuro de chuva,

mas sabemos que ambos são necessários!...

Por mais que estejamos atentos

tudo se renova a cada instante...

as pedras que surgem em nosso caminho...

por mais que pesem têm de ser removidas,

não dá para parar e ficar desesperado...

não adianta...

eu vou recolhendo,

por vezes a muito custo,

as pedras do meu caminho,

na esperança, de um dia,

com elas, erguer um castelo!

por Francisca Raposo

Encanto quebrado





Quantas vezes o encanto se quebrou?
Uma,duas,três,setenta vezes sete?
Impossìvel saber.
Triste, decepcionado, o amor não se cansava?
Là estava,delicadamente, colando o pedaço quebrado.
Mesmo sob crìticas de ser condescendente, nunca desistia.
Não hà arrependimento, mas uma grande tristeza.
O amor é tão grande que tem  a esperança de ter sido a ùltima. 
Sempre achando que iria melhorar e ser diferente.
O tempo passa!
Cada colagem em vez de tornà-lo inteiro, o enfraqueceu aos pouquinhos.
Chega uma hora, que esse encanto quebra abruptamente.
Tão abruptamente que se desfaz em mùltiplos pedaços.
Nem todo o amor é capaz de colà-lo.
Dessa vez, sô uma auto-reconstrução conseguirà.
Se isso acontecer, não ficarà marcas.
Tornarà novo, como veio ao mundo.
Nesse momento, fica a esperança e a torcida de que o amor, usado nas inùmeras colas feitas, seja o cimento para uma mudança interior.
Sò o tempo dirà!

Calvàrio




Tem dia que é necessàrio entrar em deserto.
Recolher-se e arrancar as penas velhas.
Viver o silêncio para ouvir  Deus falar.
Ouvindo, aceitar que Ele assuma o leme e guie a Seu bel prazer.
Quando o dia se torna noite escura e não se enxerga nenhuma luz, é preciso parar e esperar a Luz reaparecer.
È o momento do calvàrio.
O caminho é doloroso, sofrido , com quedas.
Vem a sensação de ser insuportàvel.
O alento é saber que Deus està junto, assumindo para Si a parte mais pesada.
Senhor,
Tu me conheces e sabes tudo sobre mim.
Eis-me aqui, como uma criança confiante em Ti.
Cuida de mim!
Te amo!




Amizade - por Themis Groisman Lopes

Como é difícil ser amigo.

A jornada é longa

para aprender.

Estar presente

no “aqui e agora”,

mas também

no “depois”.

Mesmo em caminhos paralelos,

Acompanhar tua dor,

e também tua alegria.

O tempo urge.

Se não te acompanhar,

perderemos o melhor

de nós dois:

compartilharmos

o momento mágico

do acontecer.

por Themis Groisman Lopes

Renascer II - por Silvio Belbute

A partir de Renascer de Themis Groisman Lopes

Não, nunca durmo à noite.
Sempre morro minha morte diária.
Transcendo o que foi no dia,
Para renascer, ressurgir,
Sempre novo no novo amanhecer.
Ah, minha alma se renova.
Meu espirito se alegra.
Não, a morte diária não é esquecimento.
Não, a morte diária não é apagamento.
É viajar no tempo e no espaço,
E lá distante, no passado do dia anterior,
Deixar minhas memórias guardadas.
Sim, sempre ao acordar é um nascimento.
E como criança pequena,
Minha vontade é de correr,
Brincar, amar....
Viver

Renascer - por Themis Groisman Lopes

A vida é um eterno soltar,

para chegarmos ao novo

com as mãos vazias.

A vida é um semear

de amor e esperança.

Mas também é desafio.

Cada dia é morrer um pouco,

Para renascer depois.

Só a reflexão permite saber

o que vale a pena

ser vivido.

Olhe para a frente,

não te escondas

atrás da vidraça,

pois assim perderás

o melhor que a vida

te oferece

tão simplesmente:

Viver.

por Themis Groisman Lopes

Duas Palavras - por Andreia Bossoes

A força, doçura, encanto, querência, carência, carinho, graça,

desejo e cuidado que ele emanava através de suas mãos,

quando segurava o rosto dela, afastando os cabelos para beijá-la era qualquer coisa...

Com uma conexão e profundidade, até então desconhecidas...

Transcendia a efêmeridade, tornova possível o infinito toque dos corpos...

Envolvia as almas em laços, abraços e embaraços...

Pensando...

Talvez duas palavras se aproximem... (sem intenção de querer explicar.)

Comunhão e Perfeição.

Não! Ela não tinha mais a inocência das crianças (pálida verdade)...

Seu conceito de perfeição havia amadurecido junto com ela.

Ela estava entorpecida em alegria, como quem bebe um bom vinho, delicia-se...

E não perde a razão?!!

A razão nela, estava sujugada à mera expectadora...E se necessário, ajudadora...

Ela havia determinado assim.

Afinal, a razão é sempre arrogante, a ponto de ter explicações para tudo...

Sim, somos mais do que podemos explicar...

Se nos trancarmos em nossas certezas, viveremos enclausurados e seguros!

Falsa segurança....Quem pode garantir o que?

A vida sem fé, sem riscos, sem amor é uma experiência humana que não vale a pena.

E ela queria viver...

por Andreia Bossoes

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Dor


O que vem se a dor?

Pode ser física

Pode ser na alma

Ambas doloridas

Ambas deixam cicatrizes

E ambas andam de mãos dadas.

È um sinal que algo não vai bem

Ou no corpo

Ou na alma

A dor identifica um desequilíbrio

Quando a dor é na alma

È a ilusão que provoca a dor, a espera por coisas grandes depositadas em pessoas pequenas.

O amor que damos a quem ainda não este preparado para receber

O cuidado com o amigo que ainda não sabe o que é dividir.

Muitos, digo eu... Tem a patologia do não saber amar

Muitos não amam, nem sabem o que é isso

Fingem para si próprios

Essa dor... Da qual não posso fugir

Que posso falar mais?

Se ela é sentida

E precisa se deixar sentir

Deixar convertesse em lagrimas

Para que assim lave a alma

Podendo ter um novo recomeço

Acreditando sempre que nada é por acaso.

È como diz o grande poeta Drummond

A dor é inevitável,o sofrimento é opcional.

Sandra Vieira