terça-feira, 21 de setembro de 2010

Deficiência da alma



A maior de todas,

aquela que não existe cura

a pior das amarguras

quem julgas deficiente?

pobres almas insolentes

pobre almas perdidas

as almas que são deficientes

deficiência física pode não ter cura

Mas a deficiência da alma....

ah! esta não tem não....

Liberte-se...

Abra seu coração

estenda a mão

olhe ao seu lado

olhe seu irmão

sem indiferença

sem críticas

sem julgamento

cure-se

liberte sua alma

da pior deficiência que existe

a deficiência da alma.

(Rita Cherutti)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Espelhos

O que são espelhos?

Na verdade espelhos são reflexos da nossa imagem,

Imagem essa além da aparência.

Só aquele que possui sensibilidade consegue usar o espelho da alma.

Onde se emociona ao ouvir uma música

Onde se alegra ao ver a justiça sendo feita.

Esse espelho na verdade é o que vemos no outro

O espelho da alma é o outro.

Só podemos ver aquilo que temos, ou aquilo que não temos.

Permitimos ver o amor, em toda a sua magnitude

A paz, e os seus frutos de harmonia

E  o perdão,  que modifica  e transforma  à todos.

Porém podemos permitir ver o ódio

A guerra

A vingança

Tudo não passa de uma escolha

Você escolhe como refletir no espelho da sua vida.

Sandra Vieira

DORES E LEMBRANÇAS

A mulher que me habitava

Era ela.

E ela era eu.

A deusa que se pensava,

Essa,

Há muito morreu...


Que desespero remexer guardados

Colocar a vida em dia.

Que sofrimento me dá

Ver que nessas gavetas moribundas

Um pouco da felicidade tardia...


Por que motivo choras, minha querida

Se não te foi madrasta a vida?

Choro por não ser mais o que já fui.

Meu espelho, meu miserável companheiro,

Dita-me o castigo das horas e dos anos que vivi.

Conta-me dos sorrisos que sorri,

E as madeixas, que, ora grisalhas,

Maltratam minha imagem na porta do banheiro.


Aquela menina de outrora,

Que a tantos entontecia,

Destruía corações

(e nem ao menos reparava)

Hoje só tem recordações,

Das quais se tornou a escrava.


Passa seus dias e noites,

Remexendo seus guardados

Perguntando e se culpando,

Onde eu terei errado?

Eram tantos pretendentes,

Corações apaixonados,

Todos eles me queriam,

Onde teriam ficado?


Eis que então parece tarde,

Está velha, solitária,

E o coração ainda arde.

Esquecida, a pobre musa,

No ocaso de uma vida,

A mortalha agora usa.

Quem poderá lembrar

O que se quer esquecer?

Se tudo que se desejou,

Era parar de doer?


E ela ficou tão só,

Tão infinitamente só.

Apenas vagas lembranças,

Um fio de luz no olhar.

Amor tardio lhe veio,

Mas não foi para ficar.


A pobre e tristonha flor,

Sem dono e sem pomar,

Só lhe restou a morte

E nem essa lhe veio buscar!

Carmen Macedo

A cegueira

Como se perdem objetos nesta vida, alguns menos importantes, outros fundamentais. Um dia destes, perdi meus óculos de enxergar de perto. O grande problema é que não consigo enxergar absolutamente nada, sem óculos de aumento. Eles são a minha alma de leitora e da minha tentativa de escrever.  Coloquei então toda minha família em polvorosa, na busca dos benditos óculos. Sempre fui uma mestra em perdê-los, mas esta situação era especial. Imaginem a minha agonia, pois era tarde da noite e, na manhã seguinte, eu deveria apresentar um trabalho num congresso médico. Ele seria apresentado pela manhã, e eu nem teria tempo de comprar aqueles óculos proibidos, vendidos pelos camelôs, mas que quebrariam o galho.

Meus filhos reviraram a casa toda, em busca do objeto tão necessário. Procuraram em baixo das camas, das cadeiras, em todas as gavetas possíveis, dentro dos armários, no lixo e até nas máquinas de lavar louça e roupa. No fim, a procura acontecia nos lugares mais improváveis, pois os prováveis haviam se esgotado.

Pensei que naquela situação específica, poderia usar subterfúgios na apresentação do trabalho, como algum colega apresentá-lo e, eu responderia então, as perguntas que por acaso surgissem, como soe acontecer.

Após tantas horas de procura, sem sucesso, senti minha família esgotada e irritada com esta contumaz perdedora de óculos. Lá pelas tantas, ouvi meu filho gritar:

- Achei mãe, achei teus óculos.

- Onde meu filho?

Ele com a maior cara de gozação respondeu-me: estavam dentro do mousse de chocolate, que tu fizeste para comermos amanhã.

- Que bom, meu filho! É a minha salvação!

Ele retrucou: se teu problema foi resolvido, o nosso não. O doce, onde teus óculos caíram, não será comido, e para aprenderes a ter mais cuidado com eles vais ter que fazer outro igual, ainda hoje. Não me restou outra alternativa, senão repetir a tarefa, satisfeita que fiquei com a solução do meu problema. Prometi a mim mesmo que, na primeira oportunidade, compraria uma maior quantidade de óculos, pois ainda não confiava na minha capacidade de não mais perdê-los.

A brincadeira lá em casa continua, porque ainda pergunto: alguém viu meus óculos? A resposta é repetitiva e em coro:

- Procura no mousse!

Themis Groisman Lopes

Gosto

Também gosto da solidão que amanhece,

na sequência dos dias, sem nada dizer.

Também gosto da noite solitária e amiga,

que tudo me diz.

Gosto deste inverno

chuvoso e gélido,

que cala sorrindo na alegria do ver

Gosto do verão faceiro,

que queima nossa pele cantando,

e nada mais precisa dizer.

Eu gosto da vida,

da lembrança perdida no outono longínquo

do” até mais ver”.

Do hoje presente, na primavera ausente

do amanhã que há de vir

Themis Groisman Lopes

Sul....... o início

Ao imaginar o Sul , imaginamos o fim

o Norte o futuro

o que chamamos de fim contém raízes

que direcionam o futuro Norte

não é a toa que aqui nascemos

ser gaúcho é além de nascimento

é raiz que alimenta

é a força que mantém o caule

está no sangue , na alma

e não na certidão

algo que não se explica

mas sente-se correr nas veias

é orgulho de seu chão, de seu rancho de terra batida

acessório é mala

que se carrega por necessidade,

é sentir nos olhos o debuxo,da dor de um outro alguém

é o prato dividido com quem não tem

é a forma de um coração

adormecido pela guerra,

mas que na alma carrega

não a justiça dos homens,mas a da fome da própria justiça

que em tantas delongas e demandas

se perderam...

cade esse povo

que um dia lutou

e hoje veste no 7 de setwmbro uma fantasia

pois suas esporas estão macias

pelo comodismo e ambição

cadê o povo que sustenta um país?

sem base não há construção

cadê a bandeira, carregada ao pescoço?

virou cachecol, adorno?

meu rio grande que trago no coração em forma de coração e oração

meu país adormecido

resgata teus valores e que nosso debuxo seja por uma causa e não por dor

e que voltemos a fazer parte deste chão que nos acolheu

nos viu crescer

e onde estejamos o levamos e quando a morte nos chamar

para cá voltaremos

seja em cinzas

seja na lembrança de quem ficar............

Rosana Corrêa

O veleiro e a borboleta

Em meio ao mar revolto

em meio ao cansaço

diante da tristeza

em meio a tanto fracaço

em meio ao vento

em meio ao tormento

encontrei a cordoalha

encontrei um veleiro

suas velas lembram minhas asas

apenas lhe faltam cores

borboleta...

curiosa

procura velejador...

que ser tão triste deixa tão lindas asas sem cor?

Borboleta e veleiro

em meio ao mar revolto

misturam-se

colorem-se

veleiro salva borboleta

borboleta coloriu o velereiro

posou sobre o velejador

dor, alegria, encanto, cores

Borboleta e o velajador...

Não fujas

entregue-se

a esta borboleta cheia de amor...

(Rita Cherutti)

domingo, 19 de setembro de 2010

até o amanhecer do teu mundo

acredito que temos dois mundos
não acredito na distância
acredito que o amanhecer do teu mundo
é diferente do meu amanhecer
acredito que teu mundo seria mundo
teu amanhecer seria meu amanhecer
duas luas
dois mundos
um único amor
o meu
o teu
o nosso
amor
vai ser
um dia
vamos ter
o nosso entardecer
até o nosso
amanhecer
e o teu mundo será meu
e o meu mundo será teu
nosso mundo
nosso amanhecer

(Rita Cherutti)

Não quero esquecer

tentei
não consegui
não quero
eu espero
espero conseguir
espero seguir
partir
fugir
não quero e não consigo
esquecer
quero viver
viver para ter
viver para ver
viver para lhe ter
vou ter
quero ter
então
para quê esquecer?
Você...

(Rita Cherutti)

Minha loucura

entreguei à você
delírios
devaneios
sonhos
esperança
lembranças
vinganças
entreguei à você
alma
doçura
tristeza
alegria
minha loucura
a maior
a mais entranha
a que mais te assustou
a loucura que te afastou
a loucura que você mesmo julgou
ela nunca me deixou
se isso é loucura
nem um fármaco curou
esta minha loucura
tem nome
loucura de amor

(Rita Cherutti)